Novas Conexões Docentes em Tempos de Pandemia – Profª. Dra. Daniela Maysa de Souza

António Nóvoa, docente e investigador do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa participou de uma conferência online em abril/2020, sobre o tema “Docência em Tempos de Pandemia”, e proferiu uma palestra sobre as mudanças que a pandemia provocará na educação. Nóvoa pontua que não é o momento de ir contra o ensino online, ou de não fazer nada, ou de abandonar os alunos e afirma que reclamar não é a solução. Esta nova realidade que nos foi imposta mostra que a universidade deve estar presente para dar continuidade da melhor forma possível aos cursos e apesar do isolamento, pensar no coletivo e aprender com a crise. E nesse momento de profunda aprendizagem, compreender e reconhecer as mudanças dos pontos de vista: social, tecnológico, pedagógico, sanitário, econômico, pessoal, político e comportamental. E perceber que após essa aceleração da história, o mundo não será igual e que em momentos de isolamento social, o virtual nos faz próximos um dos outros.

Compactuo com Nóvoa e compreendo que a docência é mediada pelo contato, pelo olho no olho, o afeto e a troca, ou seja, a conexão entre as pessoas. E de repente, uma pandemia, num momento atípico para todos, nos obriga a nos conectarmos de outra forma.

As tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC) já eram utilizadas na educação e o blended learning ou ensino híbrido não era nenhuma novidade. Na realidade era opcional, visto como uma complementação das atividades teóricas desenvolvidas em sala de aula e/ou uma inovação docente. Antes, distante da realidade de muitos docentes, agora se torna uma obrigação!

Sim, uma obrigação: os alunos devem aprender, devem se sentir motivados, devem organizar seus horários para os estudos, administrar seus conflitos internos, controlar a ansiedade acadêmica e a preocupação com o mundo. Da mesma forma, os professores também são obrigados a gerenciarem os mesmos conflitos, devem estar motivados (e motivar os alunos), obrigados a aprenderem novas estratégias de ensino, o manuseio de novas plataformas, criar novos conteúdos virtuais, novas abordagens metodológicas e sair a força da zona de conforto, em meio à pandemia.

Somos obrigados a crescer em tempos de crise. Mudar, aprender, evoluir e transformar…

Não há receita de bolo, não temos manuais que nos ensinem como passar por uma pandemia da maneira mais assertiva. Vamos pela tentativa do acerto e erro, diminuição de cobranças, de expectativas e administração dos mais diversos sentimentos que cada um de nós sabe exatamente quais são…estamos convivendo com nosso melhor e nosso pior, aflorado a todo instante.

Então como controlar tudo isso do ponto de vista pessoal/emocional e “entrar em sala de aula” feliz, motivado, seguro e com novas estratégias de ensino que estimulem a participação de todos os alunos? Não tenho todas as respostas e se você puder ajudar, por favor, compartilhe! Tenho sim, alguns aspectos importantes, que tem me auxiliado neste momento:

Como a Universidade está nos ajudando?

Há uma forte preocupação com a aprendizagem dos estudantes, o cumprimento da carga horária do semestre letivo e com as estratégias implementadas para minimizar os impactos da pandemia.

Para as aulas teóricas síncronas, com interação em tempo real, ou seja, aulas não-presenciais mediadas por tecnologia, a FURB disponibilizou e reforçou as ferramentas institucionais já existentes, com suas potencialidades pouco exploradas por muitos docentes, como inúmeros recursos no AVA3 e Microsoft Teams/Office 365. E intensificou a formação docente (com vídeos explicativos) sobre a utilização destes recursos e suas potencialidades, bem como o compartilhamento de materiais sobre metodologias ativas, dando suporte técnico e pedagógico.

Além disso, vejo o apoio institucional presente de diversas formas: nas redes sociais atualizadas constantemente; nas notas oficiais postadas no site institucional; com a disponibilização de canais rápidos de comunicação oficiais da Furb, dos mais diversos serviços, via WhatsApp, site, e-mail e telefone; oferta de atendimento psicológico; apoio dos colegas docentes e presença da coordenação de curso, sempre disponível para auxiliar na tomada de decisões e orientações.

Como ser criativo em tempos de pandemia?

A atividade docente requer um engajamento pessoal e como estamos vivendo um momento de aprendizado coletivo e de superação, existe a necessidade de inovação! Necessidade de novas leituras, de mais estudo, de planejamento e necessidade de sair da zona de conforto, buscando novas alternativas que estimulem ainda mais a participação e interesse dos alunos nestes encontros virtuais. E da mesma maneira, necessitamos deste retorno dos alunos. De nada adianta tanta inovação e novos aprendizados se os alunos não participarem e comprarem a ideia. Precisamos estudar! Vocês e nós! Aprender e inovar em tempos de crise.

O que aprendemos (ou tentamos)?

Neste momento delicado de enfrentamento à pandemia, temos alunos e professores, com dias improdutivos, dias de insônia, dias de sonolência excessiva, angústia, ansiedade, medo, gula, ira, revolta, melancolia… inúmeras sensações que ainda estão presentes, mas talvez agora (por vezes) melhor administradas (ou não). Somos humanos, apenas humanos…

Tento pensar que: as crises são momentos de grandes oportunidades! Sem se tornar um momento de competição por produtividade, mas sim, um momento mais introspectivo de desenvolvimento pessoal e profissional. Momento de resiliência e adaptação. Momento de reinvenção e fortalecimento da identidade docente, com ampliação da nossa expertise pedagógica. Momento de aprender com os outros e compreender o tempo e o espaço do outro: Empatia!

Não percamos a esperança de dias melhores e que possamos manter o carinho em nossas conexões, hoje apenas virtuais, mas que em breve serão reais!

Saudades de vocês meus alunos, que me inspiram e motivam a cada dia ser uma pessoa e professora melhor!

Que em breve tenhamos a possibilidade de um abraço coletivo e afetuoso.

And a sweet quarantine (of learning) for us!

Escrito por Profª. Dra. Daniela Maysa de Souza, doutora em Enfermagem. Linha de pesquisa: Formação e Desenvolvimento Docente na Saúde e na Enfermagem. Professora substituta da disciplina ‘Interação Comunitária’ e tutora da disciplina ‘Integração Básico-Clínica II’. Contato: danielamaysa@furb.br.

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