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Resumo do Podcast CAMBLU ON de Hemofilia 

 

 

Resumo realizado e baseado nos Podcasts do CAMBLU ON, a plataforma med furb de divulgação de conhecimento. Realizado com o objetivo de facilitar o acesso dos alunos a informação e profissionais de todas as áreas da medicina. Não esqueça de entrar no Spotify e seguir nossas playlists – CAMBLU ON

Produzido por Anna Carolina Walter, aluna do sexto período da medicina FURB e autora do instagram de estudos @annocastudy.


Relato de um Sierra Delta

Uma das coisas mais agonizantes é estar vestindo a mesma farda depois de três dias enroscado na bandoleira do inseparável fuzil e não conseguir mais distinguir um cheiro que seja diferente de suor, graxa e óleo. Hoje a tropa continua sob chuva nas favelas do Rio de Janeiro. Meu pelotão foi designado para um posto de segurança estática em uma escola municipal que retornava suas atividades. Antes aquela área era ocupada pelo tráfico e várias daquelas crianças trabalhavam como “formiguinhas” cuja função era estourar vários traques de festa junina sinalizando a localização da polícia. A Polícia civil passou por aqui semana passada e fez o pior trabalho, agora a missão do Exército verde oliva era garantir a saída dos alunos e eventualmente fazer revistas, o que era inútil num universo de mochilas magras. No entanto, uma menina que portava uma bolsa enorme e cheia se destacou na multidão. Fiz um sinal com a cabeça para o sargento indicando a criança e ele consentiu minha intervenção. Ela me olhou assustada quando percebeu que a notei, cerrou os lábios e estremeceu. Ao abrir a mochila vários papéis caíram no chão, não era material escolar e sim muito lixo. A aluna deveria ter seus oito anos e aquela ação era para ajudar sua mãe catadora de papel que não saiu hoje devido ao clima. Um torpor incomodo me preencheu, recolhi o que havia no solo, fechei o zíper e a devolvi.

Nos meus treinamentos, fui submetido a desconfortos físicos e psicológicos o que me tornava grato às pequenas coisas, mas a dor e o cansaço são passageiras, já a realidade daqueles papéis depositados na minha frente não teriam fim, nem para mim e nem para a garota. Aquele pequeno lixo não será o luxo daquela família. Eu era só mais um soldado em pé agarrado no meu fuzil. Impomos a paz na favela, porém tanto o morro como nós permanecemos frágeis. Nosso país está enfraquecendo, o dinheiro, a democracia, a cidadania, tudo. E as forças armadas me ensinaram uma coisa: tudo que está fraco morre um dia.

Escrito por André H. Mizoguchi, acadêmico da terceira fase de medicina na FURB, Diretor de surdos da Bateria Fera e Diretor Regional de Santa Catarina pela ABLAM.


Atenção à saúde LGBTQIA+: O que eu tenho a ver com isso?

O mês de Junho foi escolhido como o mês da visibilidade LGBTQIA+ em memória ao dia 28 de Junho de 1969 – data em que frequentadores de um bar nova iorquino chamado Stonewall Inn reagiram às violências e perseguições que vinham sofrendo por parte da polícia americana. Você pode estar se perguntando: Ok e o que eu, estudante de medicina, 51 anos depois, tenho a ver com isso? Acredite! Você tem, e muito.

Primeiramente, antes de discutir as necessidades e particularidades dessa população, é preciso primeiro entender o lugar e os contextos sociais que esse grupo ao longo do tempo, da história, e acima de tudo da evolução das Instituições e normas sociais estabelecidas, ocuparam e ocupam atualmente. Porém, apesar de interdependentes, vamos nos ater aqui ao contexto da saúde: Afinal o que nós, futuros médicos e médicas devemos saber sobre o assunto?

A conquista de direitos pela população LGBTQIA+ e a história do SUS estão fortemente ligadas tanto historicamente, sendo ambas trazidas ao debate público há não muito tempo, quanto ideologicamente, quando se propõe discutir questões de desigualdade. Quando eu digo não muito tempo, eu falo sério…apenas em 1990 a OMS retirou o ‘’homossexualismo’’ do CID, deixando de considerá-lo um distúrbio mental. No Brasil, as décadas de 80 e 90 foram marcadas pela epidemia do HIV/AIDS, fato que novamente liga o SUS à população LGBTQIA+ e escancara a necessidade de assistência em saúde para essa população. Na primeira década dos anos 2000, políticas públicas começam a ser traçadas e aplicadas, chegando por fim no ano de 2011 a publicação da ‘’Política Nacional de saúde integral a lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transsexuais.’’

Bom…o que nos interessa nessa política? Eu te pergunto…Quantas vezes você, que já esteve frente a frente com um paciente durante atendimento, questionou-se sobre o artigo (masculino ou feminino) que estava utilizando? Quantas vezes você perguntou se ele/ela se sentia confortável com seu corpo? Quantas vezes você sabia que devia perguntar sobre hábitos sexuais, mas por algum motivo, ignorou essa parte da anamnese? Aparentemente isso soa como pequenos deslizes que todos nós cometemos pensando ‘’nada que vai interferir na minha conduta’’… mas será mesmo?

Aqui vão alguns dados: 1. Os homossexuais têm 5 vezes mais risco de cometer suicídio em relação a população geral 2.Em 2002 a cobertura de exames em mulheres heterossexuais nos últimos 3 anos era de 89,7% contra apenas 66,7% entre as lésbicas e bissexuais.  3. Em estudo de 2019 no DF, 84 % das travestis e transsexuais relataram fazer a transição hormonal sem prescrição médica. Eu poderia citar inúmeros outros altíssimos índices de violência, de mutilação, de depressão e o pior de tudo – de falta de acesso ao sistema de Saúde por medo, vergonha e incompreensão por parte dos profissionais.

Colegas, nós não somos ensinados na faculdade a lidar com essas questões. Volto a perguntar… em alguma aula te ensinaram a diferença, por exemplo, entre sexo biológico, identidade de gênero e orientação sexual? Pois é, independente de nossas crenças e ideologias, tratar as necessidades conforme suas diferenças (lembrando as primeiras aulas sobre equidade) é isso! A política nacional de saúde? É isso! Toda a luta por direito a saúde LGBTQIA+? É isso! Que a gente não ‘’deixe passar’’ uma vida que é digna de um tratamento com respeito e qualidade. E se posso dar algum conselho: ESCUTEM…Eles têm muito a dizer.

Escrito por Frederico Augusto de Brito Costa, 24 anos, acadêmico do 6º. Período


O que todo médico deveria saber sobre educação financeira e investimentos

A medicina acaba sendo um mundo à parte em muitos casos. Concordam? Digo isso porque o ingresso na faculdade depende de grande dedicação, e logo nos primeiros semestres começam as aulas de anatomia, bioquímica, fisiologia, práticas em laboratório, horas de estudo. E, com o tempo, as obrigações parecem só aumentar; além disso, começam práticas hospitalares e plantões noturnos – em determinadas residências, exige-se mais de 100 horas semanais.

Primeiramente, ademais a falta de tempo e de cansaço, não nos interessamos por temas alheios aos da cultura médica. Todavia, meus caros, a educação financeira pode ser essencial inclusive para se ter uma vida mais saudável. Hoje, no Brasil, apenas 3,6% das pessoas se preocupam com a aposentadoria e no meio médico, cerca de 25% dos profissionais médicos não se aposentam, atuam até o dia de seu falecimento. Não que seja um problema, mas, na maior parte das vezes, essa relação é por amor. Assim, amamos esse sacerdócio, entretanto quando se vive por obrigação e não opção, torna-se um fardo.

De maneira simples, um dos conceitos básicos é o de sempre viver um padrão abaixo dos próprios ganhos, como George Clauson relata em seu livro “O homem Mais Rico da Babilônia”. Por isso, desde os tempos antigos, quando se ganhava dez moedas de ouro, seria ideal guardar uma para o futuro. Eu sei, esses são sentimentos ideais. Mas, vejam: quando vamos tomar uma decisão de alto impacto financeiro (como trocar de carro ou casa), vale a regra do bom senso – pensar antes, considerar o quão o momento é ideal e dessa forma, escolher o futuro com mais tranquilidade.

De outro lado, outro conceito interessante é o da reserva de emergência. Ela nada mais é que possuir guardado a quantia equivalente à de 6 a 12 meses do seu custo de vida, investidos em algo seguro, como um tesouro nacional, para situações emergenciais (como o coronavírus, perda do emprego ou problemas de saúde). Tais comportamentos, conservadores e estratégicos, possibilitam passar pelo estresse de maneira mais confortável.

Em casos assim, tudo funciona como um ciclo. O planejamento financeiro bem feito, possibilita a cada um de nós sermos donos do próprio tempo e controladores do destino. Evita-se a obrigação, possibilita passar mais tempo fazendo o que ama, mesmo que seja seu emprego, ou se dedicar mais para sua família e pessoas que ama ou até mesmo viver em qualquer lugar do mundo que desejar. Isso pode fazer toda diferença na sua saúde física e mental.

Para finalizar gostaria de agradecer a oportunidade dada pelo CAMBLU, de poder passar um pouco do meu conhecimento a vocês, coloco-me a disposição e quando procurado, será um prazer contribuir com faculdade – minha casa por tantos anos.

Escrito por Willian Baltha, 25 anos, acadêmico do 6 ano do curso de medicina da Furb, apaixonado por investimentos e mercado financeiro, co-criador do @invest.doctor, e ajuda médicos a adquirirem liberdade financeira.


 

Novas Conexões Docentes em Tempos de Pandemia – Profª. Dra. Daniela Maysa de Souza

 

António Nóvoa, docente e investigador do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa participou de uma conferência online em abril/2020, sobre o tema “Docência em Tempos de Pandemia”, e proferiu uma palestra sobre as mudanças que a pandemia provocará na educação. Nóvoa pontua que não é o momento de ir contra o ensino online, ou de não fazer nada, ou de abandonar os alunos e afirma que reclamar não é a solução. Esta nova realidade que nos foi imposta mostra que a universidade deve estar presente para dar continuidade da melhor forma possível aos cursos e apesar do isolamento, pensar no coletivo e aprender com a crise. E nesse momento de profunda aprendizagem, compreender e reconhecer as mudanças dos pontos de vista: social, tecnológico, pedagógico, sanitário, econômico, pessoal, político e comportamental. E perceber que após essa aceleração da história, o mundo não será igual e que em momentos de isolamento social, o virtual nos faz próximos um dos outros.

Compactuo com Nóvoa e compreendo que a docência é mediada pelo contato, pelo olho no olho, o afeto e a troca, ou seja, a conexão entre as pessoas. E de repente, uma pandemia, num momento atípico para todos, nos obriga a nos conectarmos de outra forma.

As tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC) já eram utilizadas na educação e o blended learning ou ensino híbrido não era nenhuma novidade. Na realidade era opcional, visto como uma complementação das atividades teóricas desenvolvidas em sala de aula e/ou uma inovação docente. Antes, distante da realidade de muitos docentes, agora se torna uma obrigação!

Sim, uma obrigação: os alunos devem aprender, devem se sentir motivados, devem organizar seus horários para os estudos, administrar seus conflitos internos, controlar a ansiedade acadêmica e a preocupação com o mundo. Da mesma forma, os professores também são obrigados a gerenciarem os mesmos conflitos, devem estar motivados (e motivar os alunos), obrigados a aprenderem novas estratégias de ensino, o manuseio de novas plataformas, criar novos conteúdos virtuais, novas abordagens metodológicas e sair a força da zona de conforto, em meio à pandemia.

Somos obrigados a crescer em tempos de crise. Mudar, aprender, evoluir e transformar…

Não há receita de bolo, não temos manuais que nos ensinem como passar por uma pandemia da maneira mais assertiva. Vamos pela tentativa do acerto e erro, diminuição de cobranças, de expectativas e administração dos mais diversos sentimentos que cada um de nós sabe exatamente quais são…estamos convivendo com nosso melhor e nosso pior, aflorado a todo instante.

Então como controlar tudo isso do ponto de vista pessoal/emocional e “entrar em sala de aula” feliz, motivado, seguro e com novas estratégias de ensino que estimulem a participação de todos os alunos? Não tenho todas as respostas e se você puder ajudar, por favor, compartilhe! Tenho sim, alguns aspectos importantes, que tem me auxiliado neste momento:

Como a Universidade está nos ajudando?

Há uma forte preocupação com a aprendizagem dos estudantes, o cumprimento da carga horária do semestre letivo e com as estratégias implementadas para minimizar os impactos da pandemia.

Para as aulas teóricas síncronas, com interação em tempo real, ou seja, aulas não-presenciais mediadas por tecnologia, a FURB disponibilizou e reforçou as ferramentas institucionais já existentes, com suas potencialidades pouco exploradas por muitos docentes, como inúmeros recursos no AVA3 e Microsoft Teams/Office 365. E intensificou a formação docente (com vídeos explicativos) sobre a utilização destes recursos e suas potencialidades, bem como o compartilhamento de materiais sobre metodologias ativas, dando suporte técnico e pedagógico.

Além disso, vejo o apoio institucional presente de diversas formas: nas redes sociais atualizadas constantemente; nas notas oficiais postadas no site institucional; com a disponibilização de canais rápidos de comunicação oficiais da Furb, dos mais diversos serviços, via WhatsApp, site, e-mail e telefone; oferta de atendimento psicológico; apoio dos colegas docentes e presença da coordenação de curso, sempre disponível para auxiliar na tomada de decisões e orientações.

Como ser criativo em tempos de pandemia?

A atividade docente requer um engajamento pessoal e como estamos vivendo um momento de aprendizado coletivo e de superação, existe a necessidade de inovação! Necessidade de novas leituras, de mais estudo, de planejamento e necessidade de sair da zona de conforto, buscando novas alternativas que estimulem ainda mais a participação e interesse dos alunos nestes encontros virtuais. E da mesma maneira, necessitamos deste retorno dos alunos. De nada adianta tanta inovação e novos aprendizados se os alunos não participarem e comprarem a ideia. Precisamos estudar! Vocês e nós! Aprender e inovar em tempos de crise.

O que aprendemos (ou tentamos)?

Neste momento delicado de enfrentamento à pandemia, temos alunos e professores, com dias improdutivos, dias de insônia, dias de sonolência excessiva, angústia, ansiedade, medo, gula, ira, revolta, melancolia… inúmeras sensações que ainda estão presentes, mas talvez agora (por vezes) melhor administradas (ou não). Somos humanos, apenas humanos…

Tento pensar que: as crises são momentos de grandes oportunidades! Sem se tornar um momento de competição por produtividade, mas sim, um momento mais introspectivo de desenvolvimento pessoal e profissional. Momento de resiliência e adaptação. Momento de reinvenção e fortalecimento da identidade docente, com ampliação da nossa expertise pedagógica. Momento de aprender com os outros e compreender o tempo e o espaço do outro: Empatia!

Não percamos a esperança de dias melhores e que possamos manter o carinho em nossas conexões, hoje apenas virtuais, mas que em breve serão reais!

Saudades de vocês meus alunos, que me inspiram e motivam a cada dia ser uma pessoa e professora melhor!

Que em breve tenhamos a possibilidade de um abraço coletivo e afetuoso.

And a sweet quarantine (of learning) for us!

Escrito por Profª. Dra. Daniela Maysa de Souza, doutora em Enfermagem. Linha de pesquisa: Formação e Desenvolvimento Docente na Saúde e na Enfermagem. Professora substituta da disciplina ‘Interação Comunitária’ e tutora da disciplina ‘Integração Básico-Clínica II’. Contato: danielamaysa@furb.br


Introdução ao BLOG – Laísa Scremin

É com orgulho e satisfação que nós do CAMBLU apresentamos mais uma plataforma de comunicação para agregar e enriquecer o cotidiano e a vida na MED FURB: o BLOG CAMBLU, feito por alunos para alunos.

A ideia para esse projeto surgiu com o intuito de abrir um espaço para uma maior comunicação dentro e fora da Medicina FURB, de maneira leve e dinâmica. Um lugar onde todos possam se abrir, relatar e compartilhar experiências, difundir assuntos acadêmicos, possibilitar participação de professores, médicos e recém-formados, além disso, um espaço para divulgação de obras artísticas, entre outros.

As possibilidades de publicação são diversas, você pode usar a criatividade e utilizar esse portal para compartilhar suas ideias e projetos.

Então, isso significa que eu posso escrever matérias e publicar aqui no BLOG CAMBLU? Sim, isso mesmo. Basta enviar para nós (teremos algumas regras e políticas de boa convivência, ok?). Passando por nossa equipe de análise seu post então será publicado e divulgado por nós semanalmente. Simples, não é mesmo?

As matérias escritas terão os devidos créditos ao autor e uma breve descrição sempre no final do post, mas você, durante seu texto, pode utilizar recursos para criar uma identidade e personalidade própria (como marcações linguísticas, imagens, vídeos dentre outros), visando futuras publicações e maior engajamento e proximidade com os leitores.

Facilidade e praticidade também fazem parte do nosso portal, visando ampliar o alcance das nossas atividades na Medicina e ser um veículo para unir todos que se identificam e se interessam por ampliar seus conhecimentos e visões de mundo. Apenas não serão aceitas matérias com cunho ofensivo e desrespeitoso para com a pessoa humana como para com as instituições envolvidas.

Já está ansioso para publicar seu primeiro post? Tem a imaginação fértil? Então envie para nosso e-mail blogcamblu@gmail.com. Estamos te esperando.

Qualquer dúvida entre em contato pelas nossa redes sociais ou pelo próprio e-mail do Blog . Muito obrigada e sejam bem-vindos!

Escrito por Laísa Scremin, aluna do segundo período de medicina na FURB e membro da Diretoria de Comunicação e Marketing do CAMBLU